Brasília — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito neste domingo (25/10) para o seu quarto mandato à frente da Presidência da República. Em uma virada inédita na história das eleições brasileiras, o petista superou o senador Flávio Bolsonaro (PL), que liderava a disputa após o primeiro turno, garantindo a permanência no cargo até 2031.
Com a totalização de 100% das urnas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o resultado oficial confirmou 51,79% dos votos para o atual presidente, totalizando mais de 64,2 milhões de votos. O adversário, Flávio Bolsonaro, encerrou o pleito com 48,21%, correspondentes a 59,8 milhões de votos, consolidando um dos cenários mais acirrados desde a redemocratização.
Esta é a primeira vez, desde a adoção do sistema de dois turnos pela Constituição de 1988, que um candidato reverte uma desvantagem do primeiro turno para vencer a eleição presidencial. O presidente, que terá novamente Geraldo Alckmin (PSB) como vice, reforçou sua trajetória política ao se tornar o mandatário mais longevo da história do país, assumindo o novo ciclo aos 81 anos.
De acordo com informações apuradas pelo FontePB, a estratégia de campanha passou por uma reestruturação profunda após o primeiro turno. A equipe petista intensificou a presença digital, adotou o formato de vídeos em estilo selfie e contou com a mobilização do canal Exército do Lula, criado pelo deputado André Janones (Rede-MG), que se tornou um dos pilares da comunicação direta com o eleitorado.
Desafios e medidas de impacto
Para reverter o quadro eleitoral, o governo implementou um pacote de medidas econômicas e sociais. Entre as ações, destacam-se o reajuste de 15,04% no Bolsa Família, a oferta de canetas emagrecedoras pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e a assinatura da Medida Provisória (MP) que proibiu a exploração de apostas esportivas on-line no Brasil, retirando os sites do ar em outubro.
O terceiro mandato, que antecedeu esta reeleição, foi marcado por tensões institucionais e embates com o Congresso Nacional. O governo enfrentou derrotas significativas, como a rejeição da indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) e a derrubada de um decreto que elevava a alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), episódios que não ocorriam há décadas.
A reta final da campanha também foi pautada pela discussão sobre a abertura de sigilos. Após um desafio lançado em debate televisivo, tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro autorizaram a divulgação de dados fiscais e bancários. O ministro André Mendonça, do TSE, validou o acordo, permitindo que os candidatos tornassem públicas as informações que considerassem pertinentes antes do encerramento do pleito.
Fonte: Metrópoles
